Ciência Aberta

A “ciência aberta” (do inglês, Open Science) é um movimento focado na ampliação do acesso e na transparência da pesquisa científica através da implementação de uma série de práticas e políticas, tais como: registro prévio de estudos, livre acesso ao banco de dados, materiais e códigos de análise, estudos de replicação, reanálises, entre outros. Com isso, é possível aumentar a replicabilidade e reprodutibilidade da pesquisa, acelerando o processo científico.

Práticas

Pré-registro: refere-se à documentação aberta e transparente, com detalhes metodológicos e hipóteses claras antes da realização da coleta de dados. Nesse processo, são documentados, por exemplo: cálculo de tamanho amostral, desenho do estudo, hipóteses, plano de análise estatística, entre outros. Este registro permite estabelecer de forma clara e transparente, análises conduzidas com o objetivo de confirmar as hipóteses pré-estabelecidas e evitar as análises conduzidas visando explorar hipóteses não planejadas previamente.

Relatórios registrados: similar ao pré-registro, a prática de relatórios registrados (RR, do inglês registered reports) visa dirimir o uso de práticas contraproducentes através de uma modalidade de publicação focada no rigor do processo metodológico ao invés de seus resultados. Nesta modalidade, a revisão por pares se divide em dois estágios: no primeiro, os autores realizam a submissão de um protocolo contendo métodos e plano de análises, que serão revisados pela revista antes da coleta de dados, podendo receber uma aceitação inicial (IPA, do inglês in principle acceptance), indicando que a revista se compromete a publicar os resultados do RR aceito, independente da confirmação das hipóteses, desde que os autores sigam rigorosamente o protocolo aprovado. O segundo estágio refere-se à submissão do manuscrito, podendo conter somente as análises referentes ao protocolo pré-registrado (análises confirmatórias) ou em conjunto à análises realizadas post hoc (análises exploratórias).

Materiais abertos: referem-se à descrição transparente e pública de protocolos, instrumentos, procedimentos experimentais e scripts de análise utilizados em uma pesquisa. Ao facilitar a reprodutibilidade e a replicabilidade, os materiais abertos contribuem para a validação dos resultados, além de permitir a reutilização e adaptação dos métodos por outros pesquisadores, promovendo maior transparência e eficiência científica.

Dados abertos: são fruto do arquivamento de dados de pesquisa em domínio público, idealmente em um repositório público, tornando-os livremente acessíveis. Pesquisadores que compartilham dados abertos devem seguir os princípios de compartilhamento “FAIR”, que visam tornar os dados encontráveis (findable), acessíveis (accessible), interoperáveis (interoperable) e reutilizáveis (reusable). Existem algumas ressalvas em certos casos; quando, por exemplo, os conjuntos de dados contêm informações sensíveis, – e.g: informações identificadoras de participantes ou a localização de espécies ameaçadas – os autores podem compartilhar dados anonimizados, sintéticos, ou ainda publicar apenas os metadados associados, tornando os dados sensíveis localizáveis, mas não acessíveis.

Publicação em acesso aberto: torna os artigos científicos públicos, isto é, disponíveis sem restrições para qualquer um, aumentando, assim, a acessibilidade e transparência. Normalmente, periódicos acadêmicos cobram, do autor ou da biblioteca acadêmica, taxas para tornar o artigo público (open-access). Apesar disso, os autores podem, atualmente, arquivar versões aceitas de seus manuscritos, mesmo que ainda não editadas, em servidores de preprint (“acesso aberto verde”). Outra opção é a publicação de trabalhos em periódicos que são gratuitos para a leitura e para a publicação aberta (“acesso aberto diamante”). Uma outra tendência nesta área é a publicação do histórico de avaliação, ou seja, o parecer dos revisores que avaliaram o manuscrito (ainda que preservando o anonimato dos revisores), para que o público consiga ver o que foi modificado em relação à primeira versão submetida.

Recursos educacionais abertos: são materiais (por exemplo, livros didáticos, cursos) disponibilizados sob uma licença aberta, permitindo que sejam livremente acessados, mantidos, remixados, revisados, reutilizados e redistribuídos (os “cinco Rs”) para ensino, aprendizagem e pesquisa.

Instituições de Ciência Aberta

Framework for Open and Reproducible Research Training (FORRT)


The Society for the Improvement of Psychological Science (SIPS)


The Psychological Science Accelerator (PSA)


Center for Open Science (COS)


Open Science Framework (OSF)


reviewer zero


Peer Community in (PCI)


Peer Community in Psychology (PCI Psy)