Replication: The money illusion effect in a Brazilian sample and meta-analyses

Ferreira, M. M., Santiago, M. Y. T., Bastos, R., Fatori, D., Borborema, R. S., Seda, L., & Batistuzzo, M. C. (2024). Replication: The money illusion effect in a Brazilian sample and meta-analyses. Journal Of Economic Psychology, 104(102744), 102744. https://doi.org/10.1016/j.joep.2024.102744

Neste estudo, replicamos, em uma amostra brasileira, um experimento clássico realizado por Shafir, Diamond e Tversky em 1997, sobre a ilusão financeira (do inglês, money illusion effect), um viés cognitivo que faz as pessoas avaliarem o dinheiro pelo valor nominal, sem considerar a inflação (valor real). A pesquisa foi conduzida online com 372 participantes, envolvendo quatro cenários com decisões sobre salários, imóveis, compras e contratos de risco. Os resultados foram muito próximos aos originais: os brasileiros apresentaram o viés de ilusão financeira nos quatro cenários avaliados. Meta-análises (uma para cada cenário) também confirmaram que o fenômeno é consistente entre diferentes culturas. 



Theoretical Maturation of the “Bias Blind Spot”: A Preregistered Replication Study of Pronin, Lin, and Ross (2002) in a Brazilian Sample

Seda, L., Martins, I. T. C., Lisbôa, T. L. R. de C., Batistuzzo, M. C., & Fatori, D. (2024). Theoretical maturation of the “bias blind spot”: A preregistered replication study of Pronin, Lin, and Ross (2002) in a Brazilian sample. Collabra. Psychology, 10(1). https://doi.org/10.1525/collabra.122158

Este estudo replicou, no Brasil, o fenômeno viés do ponto cego (do inglês, bias blind spot, BBS), descrito pela primeira vez por Pronin, Lin e Ross (2002). O BBS é a tendência de as pessoas acreditarem que os outros são mais suscetíveis a vieses de julgamento do que elas mesmas. Por exemplo, se perguntarmos às pessoas se elas acham que dirigem melhor do que a média das pessoas, mais do que 50% dos participantes iriam dizer que sim, dirigem melhor do que a média. Avaliando 203 participantes, os resultados do estudo confirmaram esse efeito, mostrando que os brasileiros também se percebem como menos influenciados por vieses do que os outros. Além disso, os participantes também se avaliaram como menos vulneráveis a falhas pessoais, efeito este que foi mais fraco, mas consistente. O estudo reforça, portanto, a universalidade do BBS.



Inaction Inertia Effect: Foregoing Opportunities as a Consequence of an Initial Failure to Act – a Replication-Extension Study in the Brazilian Population

Borborema, R. S., Ferreira, M. M., da Silva, A. L. M., Bastos, R. V. S., Fatori, D., Feldman, G., Seda, L., & Batistuzzo, M. C. (2026). Inaction Inertia Effect: Foregoing Opportunities as a Consequence of an Initial Failure to Act – a Replication-Extension Study in the Brazilian Population. Meta-Psychology, 10. https://doi.org/10.15626/MP.2023.3960

O efeito da inércia da inação (do inglês, inaction inertia effect) é um viés cognitivo que descreve a tendência de as pessoas rejeitarem uma nova oportunidade menos vantajosa após terem perdido uma mais atrativa, mesmo que a segunda ainda seja positiva. Este estudo replicou, em uma amostra brasileira de 436 participantes, o experimento clássico de Tykocinski e colaboradores (1995), adicionando adaptações culturais e um novo cenário ao experimento, de streaming fictício (“Pucflix”). Os resultados confirmaram o fenômeno, embora parcialmente, tanto nas comparações originais quanto no novo cenário. Em uma outra extensão ao estudo original, foi reportado que decisões envolvendo dinheiro mostraram-se mais sensíveis ao efeito. A replicação obteve resultados próximos aos de um estudo recente de Chen e colaboradores (2021), indicando que o tempo e as mudanças sociais podem influenciar mais do que diferenças culturais neste viés. 



Hindsight Bias: A Preregistered Replication Study Of Fischhoff (1975) With An Extension On Depressive Symptoms As Moderation (pre-print).

Seda, L., Fantini, I., Fatori, D. & Batistuzzo, M. C. (2025). Hindsight Bias: A Preregistered Replication Study Of Fischhoff (1975) With An Extension On Depressive Symptoms As Moderation. https://doi.org/10.31219/osf.io/x394e_v1

Este estudo buscou replicar, no Brasil, o segundo experimento descrito originalmente por Fischhoff (1975) sobre o viés de retrospectiva (do inglês, hindsight bias, HSB), que leva as pessoas a considerarem os desfechos de eventos passados como mais previsíveis após conhecê-los. Com 431 participantes avaliados em 4 cenários, essa replicação encontrou apenas um resultado estatisticamente significativo entre oito comparações, e o efeito geral foi pequeno, sugerindo baixa replicabilidade do HSB. Nenhuma associação foi encontrada entre o viés e fatores sociodemográficos (como idade e escolaridade) ou sintomas depressivos, que era uma extensão do presente estudo, não avaliada originalmente. A análise de moderação também não indicou que sintomas depressivos amplifiquem esse viés. Na discussão, destacamos possíveis influências metodológicas e culturais para o fato do estudo não ter replicado o efeito original.



Open Science in the Developing World: A Collection of Practical Guides for Researchers in Developing Countries

Chuan-Peng, H., Xu, Z., Lazić, A., Bhattacharya, P., Seda, L., Hossain, S., Jeftić, A., Özdoğru, A. A., Amaral, O. B., Miljković, N., Ilchovska, Z. G., Lazarevic, L. B., Bao, H. W. S., Ghodke, N., Moreau, D., Elsherif, M., Chinchu, Ghai, S., Carneiro, C. F. D., … Batistuzzo, M.C., Fatori, D., Fong, F.T.K, Liu, M., Azevedo, F. (2025). Open science in the developing world: A collection of practical guides for researchers in developing countries. Advances in Methods and Practices in Psychological Science, 8(3). https://doi.org/10.1177/25152459251357565

Neste artigo, escrito em colaboração com pesquisadores de diversos países como China, Turquia, Sérvia, Eslovênia, Arábia Saudita, Malásia, Índia, Irã, Holanda, Austrália, EUA, entre outros, mostramos que a área de ciência aberta, apesar de já estar consolidada em países desenvolvidos, enfrenta grandes desafios nos países em desenvolvimento. Barreiras como falta de infraestrutura, limitações financeiras, obstáculos de idioma e ausência de incentivos institucionais dificultam a adoção dessas práticas. Para enfrentar esses problemas, sugerimos um guia em quatro etapas: fundação (uso de recursos abertos disponíveis), crescimento (adoção de práticas acessíveis e de baixo custo), comunidade (engajamento em redes locais e internacionais) e liderança (promoção de mudanças culturais e institucionais). Também recomendamos políticas que considerem as realidades locais, incentivem parcerias equitativas e apoiem financeiramente a sustentabilidade da ciência aberta, tornando-a inclusiva e capaz de reduzir desigualdades globais. Esse artigo recebeu uma recomendação (“commendation”) da Society for the Improvement of Psychological Science em 2025.



Replicação e extensão de Fischhoff (1975): viés de retrospectiva com mediadores clínicos de sintomas depressivos (dissertação)

Seda, L., Fatori, D. & Batistuzzo, M. C. (2025) Replicação e extensão de Fischhoff (1975): viés de retrospectiva com mediadores clínicos de sintomas depressivos. 2024. Dissertação (Mestrado em Psiquiatria) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2024. https://doi.org/10.11606/D.5.2024.tde-01082025-155126. Banca examinadora: Batistuzzo, Marcelo Camargo (Presidente); Amaral, Olavo Bohrer; Boggio, Paulo Sérgio; Ferreira, Renatha El Rafihi.

Dissertação de Leonardo Seda para a obtenção do título de Mestre pelo Depto. de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Trata-se do estudo descrito acima em “Hindsight Bias: A Preregistered Replication Study Of Fischhoff (1975) With An Extension On Depressive Symptoms As Moderation (pre-print).” Trata-se de uma replicação pré-registrada do Experimento 2 de Fischhoff em uma amostra da população brasileira (n = 431) com extensões para investigar associações com variáveis sociodemográficas e sintomas depressivos. Não houve significância (p < 0,05) entre julgamentos retrospectivos e prospectivos em nossa amostra. Nenhuma associação significativa (p < 0,05) foi encontrada entre o viés de retrospectiva e os sintomas depressivos ou outras variáveis sociodemográficas. Uma análise exploratória agregando todas as comparações obteve um tamanho de efeito pequeno para o viés de retrospectiva (d = 0,12; IC de 95% [0,07; 0,37]). Esses resultados sugerem uma baixa replicabilidade do experimento seminal de Fischhoff (1975) assim como a ausência de associações com sintomas depressivos quando o fenômeno é obtido através do desenho hipotético e com desfechos neutros. O rigor do uso de práticas de ciência aberta dentro de um estudo de replicação-extensão permitiu a produção de evidências robustas, replicáveis e reprodutíveis.


Aulas e apresentações


Aula sobre práticas de ciência aberta e a experiência do LAREPsi

Instituto de Psicologia – USP